quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Consumo mortal




Em uma bela tarde, consumidores ansiosos pra comprar e gastar dinheiro. Várias opções de produtos a sua disposição. Nada que foge da realidade dos grandes centros urbanos.


Mas a descrição acima caro amigo leitor, não é de nenhum shopping Center ou feira livre, e sim de uma boca de fumo, de uma das centenas de favelas cariocas. É realmente chocante o poder e a magnitude do tráfico nas favelas, e de cada pedra de crack e grama de cocaína na vida das pessoas.


Temos exemplos claros e concretos do poder devastador das drogas todos os dias na televisão e nos jornais. É um caminho em que 99,9% das pessoas não volta. É deprimente ver até que ponto o ser humano chegou. Imagine uma feira onde os vendedores gritam um mais alto que o outro, pra chamar atenção de seus clientes. Agora visualize essa mesma feira, só que em vez de gritarem aos berros, tomates, bananas e laranjas, bradam aos quatro ventos, maconha, cocaína, crack e etc. Tenho a nítida sensação quando passo por um lugar desses, de que o inferno se não for idêntico é muito semelhante.


Não sou a pessoa mais feliz e bem resolvida do mundo, mas me sinto vitoriosa e profundamente agraciada por não aderir a essa “modinha”. Existem pessoas que tem noção e discernimento (ao menos um pouco) pra saber que esse tipo de coisa, não leva o indivíduo senão para dois lugares distintos. O túmulo ou a prisão. Lugares que definitivamente não faço a mínima questão de freqüentar tão cedo.


Como resido em uma dessas centenas de favelas cariocas, infelizmente presencio esse tipo de cena muito mais do que gostaria. Deve estar passando pela sua cabeça, que devido a tanto tempo de convivência (forçada deixo claro), já deveria ter me acostumado.


Mas cheguei à conclusão de que não nos acostumamos a esse tipo de coisa, simplesmente as suportamos. Porque basicamente não temos outra opção. Você acha que uma mãe gosta, ou já se acostumou a ficar presa dentro ou fora de casa, aflita esperando seu filho voltar da escola, quando está havendo tiroteio? Já se acostumou a passar ao lado de lugares onde pessoas da idade ou menores que seu filho, andam exibindo com orgulho armas e fuzis enormes? Onde consomem e vendem drogas á luz do dia, pra quem quiser ver? Alheios a qualquer senso de moral, educação ou respeito. No palavreado mais chulo: Eles não estão nem aí! Você que se dane!


Aprende a viver omitido, impotente, inseguro e mãos atadas. Também conhecido como não vejo, não ouço e não falo, ou tenta fugir. Tenta, pois com o avanço surreal das drogas e conseqüentemente da violência pelo nosso país, será difícil, praticamente impossível se livrar do problema.


Temos que agradecer a Deus por sair e voltar para casa todos os dias. Por termos saúde e também por nossa família. Por mais problemas que existam ou possam vir a existir.


E quando ouvimos por aí que droga é uma droga, pode ter certeza que é no sentido literal.

Um comentário:

  1. Olá Tamires...bacana o texto...posso dizer que há mais do que "não tão nem ai" por traz do uso...me refiro aos usuários, trato pessoas com essa doença, é bem complicado entender, tratar...principalmente a sociedade que se diz tão sadia, tão correta...mas que implacavelmente isola seus humanos mais frageis em sargetas e os marginaliza ainda mais...é tudo parte de um embrólio...acredito que podemos dizer que o 'nem ai"...pode-se estender a mais gente..incluindo quem não faz uso de drogas, mas faz mal uso de sua autoridade e entendimento de o que é uma comunidade..e se vira somente ao lucro de seu proprio bolso....

    bacana seu blog...tbm te seguindo!
    beijos
    Zante=)

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