sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Estamos mesmo evoluindo?


Aranha sofre ofensas racistas e desabafa: 'Dói muito'

"Polêmica: criança de 12 anos é impedida de entrar na escola com guias de Candomblé."

Estas são manchetes de hoje, dia 29/08/14. A primeira relata a ofensa racista sofrida por um jogador do Grêmio pela Copa do Brasil, a segunda é sobre um menino que foi impedido de estudar por usar algumas guias de candomblé, é, estamos em 2014. O preconceito, segundo o dicionário Priberam é “Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.”. É o famoso “falar sem saber, ou conhecer” É algo tão intrínseco na história do Brasil e tão arraigado em nossa sociedade, que sua proporção é de difícil combate, difícil porém não impossível.

É estranho, senão bizarro, que o homem já tenha pisado na lua, que as pesquisas para cura da Aids e da clonagem humana estejam cada vez mais avançadas, e ainda sejamos testemunhas de pessoas chamando outras de “macaco”, ou mandando alguém entrar pelo elevador de serviço por conta de sua aparência, ou cor. Estamos tão evoluídos em certos aspectos e em outros retrocedemos tanto que pulamos Cabral e paramos na Era da Cavernas, triste.

A partir do momento que uma pessoa branca, se julga melhor que outra pela cor de sua pele ou sua religião, entramos em um campo que são tantos fatores retroativos envolvidos que a situação se complica ainda mais, não é somente preconceito envolvido, entram em jogo, educação, empatia, respeito ao próximo, e mais uma infinidade de coisas, é triste mais muitas vezes ou quase todas, as pessoas são consequências da educação que tiveram. Quando ouvimos alguém chamar seu próximo de “macaco” ou “macumbeiro”, percebemos o quanto as relações humanas estão confusas. Somos capazes de respeitar e cuidar mais do nosso celular do que da pessoa ao nosso lado. 

O goleiro do Grêmio se sentiu ofendido, e decidiu não prestar queixa do caso, o que pessoalmente não concordo, pois, infelizmente, no Brasil, as medidas punitivas ou educativas que causam algum efeito, são com dinheiro, quando dói no bolso sabe?! A mulher que foi flagrada gritando MACACO, com todas as vogais e consoantes, com uma dicção perfeita, foi afastada do trabalho, excluiu todas as suas redes sociais, afinal os julgadores profissionais da internet não iriam perdoar algo assim, isso é um verdadeiro banquete. Trataram de despejar milhares de críticas, ofensas e xingamentos, de vadia e racista para baixo, o julgamento é implacável não é?! Da próxima vez, é melhor guardar o racismo dentro de si mesma! Já a diretora não quis se pronunciar a respeito do aluno impedido de entrar na escola.

Estas não foram as primeiras e muito menos serão as últimas mostras do que somos capazes, pessoas são vítimas de todos os tipos de preconceito, todo o tempo e das mais variadas formas, desde pessoalmente, pela internet, pela televisão e por aí vai. Infelizmente, as pesquisas nesta área estão avançando a passos lentos. É interessante quando chamam um negro de macaco, pois o animal, no caso, o macaco, se mostra mais evoluído e inteligente do que o ser humano, ao menos eu nunca vi um macaco chamar outro animal de sua espécie de “homem”.

Tamiris Pires





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