terça-feira, 24 de novembro de 2015

Não, não é normal



Um casal aparentemente normal, jovens, bonitos e bem de vida, comercial de margarina. Até que se descobre que o homem, (vamos chamá-lo de M, de mentiroso), já havia agredido a mãe de sua filha com socos e chutes (vamos chamá-la de V de vítima). A única diferença deste casal para outro qualquer é que o homem em questão é uma pessoa pública, mas precisamente secretário da prefeitura, e provável candidato ao cargo para as eleições do ano que vem. A princípio M desmente toda e qualquer agressão, até que as provas surgem, exames, boletins de ocorrência na polícia. E agora, o que fazer? Ele então assume já ter agredido a mulher, mas apenas uma vez e que isso nunca mais se repetiu. Mentira de novo. Denúncias anteriores de agressão surgiram. Agora o homem público se vê obrigado a se explicar.

Convoca uma entrevista coletiva e põe V a mãe de sua filha ao seu lado a fim de confirmar tudo o que ele disser. E o que ele disse afinal? Você me pergunta. Deve ter assumido o erro, se mostrado arrependido, não é? Não. Muito pelo contrário. Não só não se mostrou arrependido, como classificou o ocorrido, ter enchido a mulher de pancadas a ponto de quebrar-lhe um dente e isso mais de uma vez, como “discussão de casal”, ainda lançou a pergunta, “quem nunca passou por um descontrole? Isso é absolutamente normal. ” A mulher ainda disse que a imprensa foi a responsável por acabar com a paz de sua família.

A respeito de tais declarações, eu, Tamiris Pires, 23 anos, digo para V, que não foi a imprensa que acabou com a paz de sua família, foi o homem, que a traiu e a agrediu violentamente na frente de sua filha pequena. Para M, eu digo que casais discutem sim, gritam um com outro sim, perdem a cabeça e falam besteiras sim. Mas a partir do ponto em que a agressão entra na jogada, o assunto sai do campo sentimental e passa para o campo criminal. 

E em reposta a sua pergunta, não, não é normal um homem agredir uma mulher. Não é normal o machismo e a violência estarem presentes na vida de um casal. Se M tivesse a assumido a m* que fez e dissesse “olha, o que eu fiz foi horrível e me arrependo muito, nenhuma mulher deve se submeter ao que eu fiz a minha mulher passar”, talvez, só talvez, o seu filme não tivesse tão queimado, isso para mim, obviamente. Afinal, as eleições são em 2016, muito tempo até lá, tempo o suficiente para os eleitores esquecerem, para sua sorte, eles têm a memória fraca, infelizmente. Mas o meu voto, pode ter certeza você não terá, afinal, se M é capaz de fazer o que fez com a mãe de sua filha, o que não faria com o povo carioca?

Lembrando, violência doméstica é crime, e para quem, mesmo após tudo o que foi dito e mostrado, ainda mantém o apoio a M um ditado da minha vó “ diga-me com quem andas, e te direi quem és” ou o adaptado “ diga-me com quem andas e te direi se vou contigo”.


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