segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A gente não quer só comida?


No último final de semana ocorreu no Rio de janeiro, minha querida cidade, a inauguração do “Museu do Amanhã” uma ótima opção de entretenimento de qualidade para os cariocas na já reformulada Praça Mauá. Um verdadeiro monumento altamente tecnológico, de arquitetura arrojada que visa questionar aos visitantes “como será o nosso amanhã? ”.

Em minha humilde opinião, o que mais chamou a atenção na inauguração do “Museu do amanhã” foi justamente a inauguração do “Museu do amanhã”. O estado do Rio passa por uma das maiores crises de sua história. Todos os dias são exibidas reportagens em que servidores públicos reclamam o direito de, pasmem, receber seus salários. Hospitais, faculdades, escolas, estão um verdadeiro caos. O governador pressionado a fazer alguma coisa diz que o 13° dos servidores será pago em cinco parcelas até abril de 2016. Alunos da UERJ estão sem aula em prol dos funcionários de limpeza que estão sem receber. Pessoas doentes peregrinam pelas UPAs e hospitais em busca de atendimento.

Em uma situação caótica como essa, eu me pergunto, no que deveria ser investido o dinheiro do estado? Em hospitais e no pagamento de funcionários públicos, ou em um museu, cuja única função é entreter, e que não traz nenhum benefício palpável para a maior parte da população. Claro que, em outras ocasiões, ele seria muito bem-vindo. Mas qual o real motivo dessa grande obra? Caixa 2? Superfaturamento e afins? Provavelmente.

Vamos pensar como administrador de uma casa. Há uma grande infiltração em sua sala, causando goteiras e uma enorme de cabeça. Você investe seu suado dinheiro na resolução deste problema ou em uma nova mesa de jantar?

Tento muito, em vão, me convencer de que o “Museu do amanhã” e todas as outras intervenções que transformaram centro e zona sul do Rio em verdadeiros canteiros de obras não são apenas “pra gringo ver”, afinal, o Rio sediará o maior evento esportivo do mundo, tem que dar uma melhorada. Pena que essa melhorada não é para a maior parte da população. Temos como exemplo o legado que pan-americano deixou para a cidade que cabem em uma única mão.

Há algum tempo, vi que uma cidade, que não lembro o nome, se recusou a sediar as Olimpíadas pois optou em usar os recursos que usaria no evento em melhorias para a população, hospitais, escolas, segurança, coisas que não vemos há um tempinho por aqui.

Sim, a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, mas precisamos de comida, caso contrário a gente morre.

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