segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sombras



Fiquei reparando minha sombra.

Aquela era eu, mas era diferente ao mesmo tempo.

Era escura, mas transmitia um ar purificado, neutro.

Não tinha manchas, buracos ou imperfeições, era uma coisa só.

Ela não feria, não magoava, não julgava os outros e não tinha preconceito.

Ela só estava ali, na dela, imitando movimentos de alguém imperfeito.

Era talvez uma cópia melhorada, que poderia escolher qualquer pessoa do mundo para ser seu par, mas escolheu a mim.

Sempre gostei de olhar as sombras e brincar de fazer animais com as mãos, ela sempre brincava comigo, mesmo sendo sempre a mesma coisa.

Alguns tem medo das sombras, eu acho fascinante a ideia de que, de algum modo, existe alguém exatamente igual a gente, e que nunca estamos sozinhos de fato.

Mesmo achando que podem ser uma cópia melhorada, temos um trunfo em relação as sombras.
Elas não sentem, não abraçam e não sorriem.

No fundo, eu acho que as sombras têm inveja de nós, afinal somos fascinantes.

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